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Ferais
- por Ricardo Strowitzki
História
Durante a Era das Tempestades, o período longínquo dos dias antes da escuridão, os humanos deram os primeiros passos nas Midlands, encontrando um novo lar cheio de vida e oportunidades. A caça primitiva com lanças e tacapes foi aprimorando-se de verão a verão, e cada vez mais rápido com as invenções do arco e da cerâmica. Durante as mudanças nômades, pequenos acampamentos eram montados e desmontados entre as estações, quando o alimento ficava escasso ou mesmo em tempos de um perigo grande demais para ser combatido. Alguns heróis nasceram, e formaram linhagens de humanos fortes em espírito, poder e graça desde seus primórdios.
Com heróis para proteger suas suas próprias linhagens, e outras raças que também habitavam as Midlands, a civilização humana teve uma virada de sorte. Antes fugindo de predadores locais, agora eles podiam encontrar um lar em viagens razoavelmente seguras, com exceção dos ocasionais Gigantes ou Dragões, motivo de medo e cautela todo o tempo. Em suas viagens os humanos encontraram diversos seres míticos, mas devido a sua pouca experiência como outras raças nesse mundo, não conseguiam formar laços com criaturas mais inteligentes. Sobrava então alianças esporádicas com raças selvagens, por caça, pelagem e água.
Das linhagens, tribos se formaram. Seu idioma crescia e se delineava com as trocas de suprimentos para as contínuas viagens em direção ao oriente. Não se sabe ao certo de onde ou como eles vieram às Midlands, uns dizem que chegaram pelo grande mar ao Sul, em barcaças longas e de poucas velas, também contam a existência de um portal perdido no meio dos rios de Midland, que abriu-se como uma flecha ao partir-se no alvo. Luzes verdes e lilases são parte de todas as lendas, descendo dos céus até o fundo do rio Umhaizar. Outros seres ficaram amigos dos humanos: orgulhosos minotauros, sátiros, alguns seres feéricos que presenteavam os humanos com objetos estranhos ou pregando peças, mas achando graça dessa grande trupe de seres maiores em suas pelagens rudes e com cabelos compridos e espessos.
No entanto, nem todos eram receptivos aos humanos. Mesmo entre essas raças bárbaras, alguns indivíduos mais ferozes atacavam vez ou outra por espólios, ou apenas pela caça. Crias do Adversário apareciam para capturar e sacrificar os humanos, conjurando seres mais hediondos sobre as Midlands. Não fossem os heróis de Uno, as terras estariam em chamas e a vida esgotada em todos os campos e florestas. Algumas das crias do Adversário eram ainda mais bestiais do que ruins em si, o que deu espaço para uma certa influência entre a necessidade de sobreviver nas Midlands em troca do serviço à grande obra do mal. As primeiras lendas sobre os Licantropos vieram das tradições orais de povos tribais. Aos poucos as histórias se espalharam entre os humanos, e suas origens foram se conectando até uma história ser mais repetida do que as outras: a de um rei e seu heroísmo até o derradeiro fim, morto ou amaldiçoado por criaturas malignas. Dependendo de quem conta a versão da história, um ou ambos aconteceram.
O seu nome era Sterno Burzdnaz, um rei dos grandes mares após o período de assentamento dos humanos nas Midllands. Dizem que ao voltar de ilhas distantes ao sul, havia mudado de hábitos selvagemente e se comprazia em comer carnes mais cruas do que seus súditos. Com o tempo, o povo soube da maldição de Sterno, mas por ser um rei forte, aceitaram-no mesmo assim. E o primeiro grande clã de Licantropos surgiu com a ordem de Sterno, seus filhos e comandantes saíam em noites de lua cheia para caçar e ser livres pelas florestas onde hoje são os Bosques da Lua. As cultistas da região tinham boas relações com os lobos, eles as protegiam de outros seres enviados pelo inimigo enquanto elas lhes davam abrigo enquanto lobos e o carinho que poucos conseguiam ter pelas bestas. E assim uma segunda ordem surgiu enquanto a primeira foi levada apenas em batalhas pelo rei Burzdnaz. Os lobos agora se espalhavam por Ethru, alguns se separaram da ordem por desavenças e formavam tribos menores, mais selvagens, mas em sua grande maioria eles seguiam um caminho traçado pelas druídas e por Uno de fazerem parte do mundo humano e animal ao mesmo tempo.