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Carniçais

O carniçal é uma criatura maligna que saqueia túmulos para se alimentar da carne putrefata dos mortos. Eles habitam lugares solitários, especialmente cemitérios e ruínas abandonadas. Não é incomum no entanto, encontrá-los vagueando em pequenos grupos, numa necessidade doentia por alimento.

Características Físicas

Os carniçais possuem vaga semelhança com sua forma enquanto vivos. Conservam a postura humanóide embora muitas vezes utilizem os braços como membros auxiliares para locomoção. Unhas e dentes crescem de um modo selvagem, e os cabelos e pêlos tendem a cair por completo. A pele adquire um tom pálido, mas sua carne não apodrece enquanto mantém o consumo de carne - fresca ou em decomposição - frequente.

O corpo morto mantém os músculos rígidos embora funcionais, e consome toda a gordura corporal. São portanto bastante magros, embora possam apresentar o abdomem proeminente quando bem alimentados. Os olhos afundam nas órbitas e perdem a cor e pupila, parecendo vazios. As cartilagens podem se desfazer com o tempo, tornando orelhas e nariz flácidos ou ausentes. As presas crescem em sentidos diversos, muitas vezes deformando a boca da criatura.

Poderes

A mente de um carniçal não é afetada pela sua não-vida, embora sujam novos instintos predatórios. A criatura adquire também uma sensibilidade auditiva e olfativa que faz dele um ótimo prospector e caçador. Os olhos, apesar de perderem a cor, adquirem a capacidade de enxergar na escuridão. Aprimora-se a agilidade e a capacidade de reação.

Carniçais são incansáveis, e sua mente doentia não se permite ser enfeitiçada. O corpo morto não é afetado por enfermidades ou venenos, o que os permite viver em meio a criaturas peçonhentas ou em lugares afetados pela peste. Seu toque possui uma capacidade paralisante e alguns deles chegam a exalar esta toxina em forma de um cheiro fétido.

Alguns poucos indivíduos manifestam habilidades sobrenaturais, como assumir a forma de animais, ou mesmo em aprender e invocar encantamentos. Supõe-se haver um lugar para os carniçais nos Salões do Terror, ou em algum domínio pertencente ao Adversário. É possível que os carniçais conheçam um encantamento que os conduza a tal lugar.

Personalidade

Ao se transformar em um carniçal, os anseios e motivações de sua antiga vida desaparecem, substituídos por um anseio único em consumir a carne de criaturas sencientes em decomposição. Muitas vezes se aliam a mortos-vivos mais poderosos para aproveitar-se dos restos de suas vítimas. A privação de alimento por longos períodos pode aflorar uma tipo de insanidade, que o leva a caçar criaturas ainda vivas. Quando forçados a isto, eles optam pelos mais fracos - geralmente crianças e idosos - e evitam confrontos a não ser quando forçados a isto.

Em casos raros, um carniçal particularmente inteligente pode controlar seu metabolismo, bombeando sangue a partir do seu coração. Fazendo isto, sua pele recupera uma tonalidade mais vívida e pode mesmo imitar o movimento da respiração. Fazem isso para atrair e enganar viajantes, senduzindo-os e até mesmo se prostituindo para atacá-los e em seguida, devorá-los. Frequentemente adquirem um linguajar culto e floreado em seus embustes, criando para si mesmos títulos e nomes ficticios e memoráveis retirados das lápides que já saquearam.

Eles evitam a luz do dia tanto quanto possível, embora não sejam destruídos por ela como os vampiros. Este é um medo irracional, e mesmo quando forçados a vagar durante o dia eles se recolhem em sombras muitas vezes buscando a segurança de outros da sua espécie. Também possuem um receio de cruzar água corrente, e não o farão a não ser em casos que sua sobrevivência depender disso.

História e Cultura

A história dos carniçais remete aos reinos arenosos ao sul de Ethrü. Forçados por uma era de privação, alguns homens foram levados aos atos impensados de canibalismo, alimentando-se da carne dos recém falecidos, muitas vezes de sua própria família. Estes atos pecaminosos eram amaldiçoados por Uno, mas abençoados pelo Adversário. Em pouco tempo desenvolveram um gosto por tal feito, perpetuando-o mais por depravação que necessidade.

Tornaram-se então proscritos, expulsos da sociedade e feridos pelo olhar recriminante do criador. Passaram a habitar a noite e fugir das aglomerações de pessoas, vivendo a sua margem, escondendo-se nos sepulcros. Supõe-se que todo cemitério possui um túmulo rachado ou esquecido que é habitado por um carniçal. É para aí eles levam suas vítimas preferidas, quando almejam companhia. Muitas vezes o Adversário atende as preces de seus idolatradores, concedendo a não-vida a estes pobres seres amaldiçoados.

Linhagens ou Subespécies

Embora incomum, existem diversos relatos de animais ou bestas mágicas amaldiçoados a se tornarem carniçais. Abutres, asnos, hienas, lobos e morcegos são frequentemente mencionados nestas lendas, embora worgs e mesmo wyverns já foram cogitados. São frequentemente chamados de carniceiros.