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Entes e Dríades
São uma espécie de criaturas vegetais, espíritos da natureza que presidem sobre os bosques e florestas. Cada qual nasce a partir de uma árvore, da qual é composto seu corpo (no caso dos entes) ou a que está vinculada a sua essência (para as dríades).
Características Físicas
Os entes apresentam-se como grandes árvores animadas, que copiaram dos gigantes seu modo de mover e expressar-se. Possuem portanto uma forma vagamente humanóide, geralmente com dois braços e duas pernas - embora possam exceder este número. Adquirem também feições em sua casca externa, sisudos e compenetrados; muitas vezes com uma espécie de barba e cabelos compostos por folhas, galhos e gavinhas. Os olhos e boca são orifícios sombrios que não alojam realmente um órgão sensorial ou digestivo.
As dríades por sua vez, possuem uma aparência feminina, trazida a vida como uma materialização dos primeiros sonhos de Ethrü. Menores e mais esguias que os entes, muitas vezes correm despercebidas pelos bosques. São espíritos mais livres, e podem mesclar-se ás árvores para se esconderem. Podem ainda alterar sua forma, apresentando feições semelhantes aos seus interlocutores, durante o contato com outros povos. Apesar dissso apresentam sempre os olhos vazios e os cabelos compostos de folhas e gavinhas, como os entes.
Poderes
Como espíritos dos bosques, entes e dríades conhecem uma forma específica do idioma silvestre, que os permite comunicar-se com as plantas e muitas vezes com os animais que habitam as redondezas silenciosamente. Enquanto em descanso, entes e dríades são praticamente indistinguíveis das árvores.
Entre as capacidades sobrenaturais mais comuns, a possibilidade de animar a vida vegetal próxima, aprisionando ou ferindo qualquer um que ouse ameaçar o seu domínio. Algumas vezes podem manifestar habilidade para realizar encantamentos para dobrar a vontade de outras criaturas, ou para desaparecer entre a vegetação.
Personalidade
Ambos são reclusos e tímidos, evitando o contato com outros povos, a não ser que necessário. Vivem em um estado contemplativo, compartilhando os sentidos e os sentimentos do bosque que residem. São trabalhadores incansáveis, embora demonstrem pouca urgência em cumprir suas tarefas.
Sua motivação principal é de proteger e promover o crescimento natural e sustentável do seu habitat. Isto pode envolver nutrir as plantas com o necessário para sua sobrevivência, assim como defendê-las em caso de um desastre natural. No relacionamento com outros povos, costumam ser pacientes ao julgar e ponderar, mas se ameaçados podem agir de modo impetuoso, conjurando outros seres selvagens e feéricos para ajudá-los.
As dríades possuem alguma essência feérica, o que as torna eventualmente mais alegres e trapaceiras. Existem algumas lendas de dríades que se deixaram ser surpreendidas enquanto cantavam sozinhas em meio ao bosque, finalmente revelando um ardil para atrair e ludibriar o pobre viajante.
História e Cultura
Assim que o ventre de Ethrü se tornou propício ao nascimento da vida, uma grande variedade de ervas, arbustos e árvores começaram a brotar. Estes primeiros seres não tinham consciência de si mesmos, comungando dos sentimentos e anseios da mãe. Porém, com a chegada dos gigantes, as árvores foram agitadas, provocadas, tiradas de seu lugar natural e cultivadas. Mas começou a despertar algo que iria muito além de curiosidade, despertou distintos potenciais em alguns poucos indivíduos - que supostamente foram escolhidos por Ethrü. Estas árvores adquiriram consciência, percebendo os gigantes como um povo ativo e trabalhador, mas por vezes descuidado.
Meditaram durante longas estações, observando e admirando os modos dos gigantes, e por fim decidiram ter com eles. Os recém despertos ergueram então suas raízes e deram os primeiros passos, abriram suas bocas e pronunciaram as primeiras palavras. Reuniram-se aos gigantes, que os reconheceram como semelhantes, em estatura e sabedoria, sendo portanto chamados de Entes. Adquiriram o domínio sobre os bosques, que passaram a guardar e proteger como a um pequeno rebanho – sendo por vezes chamados de pastores de árvores.
O Fim da Solidão
Apesar de longevos, os entes não são imortais. Eventualmente - como as árvores que apascentam - eles envelhecem e morrem. Eles observaram várias gerações de gigantes, seus laços familiares, e os invejaram. Para muitos entes a existência de guardião incansável destinado ao apodrecimento e ao esquecimento era muito cruel. Seu lamento alcançou os ouvidos sempre atentos de Sirpale.
Graciosa, a caçula prateada de Ethrü brinca com os sonhos da irmã, moldando-os e dando vida. Ela já havia enviado a superfície diversos espíritos de seu véu, criaturas efêmeras que causavam as mudanças nas estações e viviam da terra e da água. Ordenou então que fossem até os entes, roubassem-os coração e os plantasse onde não pudessem alcançar. Sem coração eles não mais amargariam sua solidão.
Porém, como uma grande semente o coração dos entes germinou na primavera seguinte. Cresceram em árvores majestosas das quais emergiram as primeiras dríades (batizadas no idioma arcaico). Tendo em seu íntimo a consciência da solidão dos entes, elas logo buscaram sua metade. E daí por diante, durante cada primavera é possível que uma nova dríade brote, ampliando o harém de seu companheiro.
Linhagens ou Subespécies
Diversas criaturas estão relacionadas aos espíritos da floresta, como seus súditos ou protegidos:
- Borametz: também conhecido como o cordeiro vegetal ou polipódio, é uma planta em forma de um caprino, coberta de uma pelugem aveludada branca ou dourada. Ele cresce sobre ou cinco raízes e alimenta-se das pequenas plantas ao redor, arrancando suas raízes da terra e movendo-se para outro lugar quando a comida escasseia. Valioso pela sua lã - uma espécie de algodão - costuma também atrair predadores pela sua aparência.
- Homem-verde: uma figura misteriosa, com aparência de um homem com chifres portando uma máscara de folhagem, da qual brotam pelo nariz, boca e outras partes do rosto ramos e cipós que podem conter flores ou frutas. Raramente aparece, mas acredita-se ter poderes semelhantes aos entes. Muitas lendas o chamam de Cernunos, o pai dos sátiros e minotauros, mas outros acreditam que seja um humano que foi imerso ou assimilado pela vegetação, ou ainda um ente que anseia o convívio dos seres humanos.
- Mandrágoras: considerada uma planta com poderes especiais, na forma de uma raiz bifurcada que assemelha-se a uma figura humanóide. Quando extraída da terra mediante um certo ritual, pode fornecer poderes como o conhecimento pleno das redondezas, ou a invulnerabilidade contra outros espíritos vegetais. Esta proeza não é fácil de ser realizada, pois a mandrágora agarra-se ao solo para não ser extraído e grita em socorro, podendo ensurdecer o seu captor.