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Bruxas ou Fúrias

As Bruxas, ou Fúrias são criaturas feéricas que habitam Ethrü há tempos imemoriais; há quem diga que mesmo antes de suas núpcias com Uno. Elas possuem uma ligação estreita com a Mãe e suas irmãs Sirpale e Lilið, frequentemente agrupadas em semelhança a esta tríade. Sua aparência assemelha-se a de mulheres mortais bastante idosas, embora muitas delas possuam habilidades metamórficas, permitindo rejuvenescer ou mesmo assumir formas de diferentes criaturas. São comumente consideradas maléficas, embora essa percepção esteja mais associada ao seu comportamento caprichoso e amedrontador.

Uma nota Etimológica sobre Bruxas e Bruxos

A palavra Bruxa muitas vezes possui uma interpretação errônea, associada a conjuradores arcanos de alma mortal que possuem capacidades semelhantes a das Fúrias. Estas bruxas (witches, völvas ou seiðr) e bruxos (warlocks) não são as criaturas descritas aqui, mas possuem uma relação próximas a elas. As bruxas são mulheres aceitas entre as Fúrias como aprendizes, especialmente quando um coven perde uma de suas participantes. Os bruxos, por sua vez, são mortais que barganham poderes arcanos com as Fúrias e outros seres feéricos ou demomíacos.

Características Físicas

Ao caminharem sobre a superfície de Ethrü, as Fúrias assumem uma forma física semelhante aos seres humanóides que convivem, frequentemente humanos, elfos, goblinóides ou mesmo gigantes. Essa aparência sempre remete ao gênero feminino, e embora geralmente uma idosa sábia, sua magia as permite se apresentar com quaisquer idade; seja uma criança inocente, uma jovem voluptuosa ou uma matrona determinada. Esses aspectos físicos refletem um pouco de sua personalidade, embora muitas vezes assumam uma idade mais adequada ao sentimento que desejam provocar.

Apesar da semelhança com as raças humanóides, sempre apresentam características incomuns, como o tom de pele ou dos olhos, tendo penas ou folhas no lugar dos cabelos, ou mesmo armas naturais como chifres, garras e presas afiadas. Seus corpos mortais carecem de vitalidade, traço evidente na sua expressão murcha e macilenta. A não ser que use seus poderes para disfarçar sua condição, uma fúria é claramente distinguível dos seres mortais que se assemelha.

Costumam trajar-se de modo rústico, com mantos puídos e desgastados pelo tempo, e peles cruas de animais. Gostam particularmente de adereços e fetiches, como chapéis, pentes, brincos, colares e braceletes; muitos dos quais carregam contas, penas e pedras penduradas. Estes adereços são os tesouros mais valiosos de uma fúria, frequentemente mágicos. Não é incomum estarem acompanhadas de um animal familiar - como gatos, sapos ou corvos - ou de um escravo devoto - tais quais ogros ou trolls.

Poderes

A existência das fúrias está vinculada aos instintos mais profundos das Três Irmãs e em virtude disto elas são imortais. Embora não definhem com o passar dos anos, sua essência pode ser desfeita para então voltar ao âmago do reino inferior onde será absorvida por outra fúria. As manifestações mais comuns de seus poderes envolvem alterações de forma, seja somente na aparência, assumir formas amedrontadoras, e tornar-se invisível ou insubstancial.

Atemporalmente sábias, elas desenvolveram uma afinidade pela feitiçaria, especialmente na forma de rituais. Elas têm domínio tanto sobre as energias elementais da Mãe, quando o glamour feérico e a trama arcana oculta de Lilið. Muitas são adeptas de augúrios e previsões, e as fúrias em um coven podem compartilhar seus sentidos e emprestam poderes umas as outras. Elas também conjuram maldições (conhecidas como hexes), e abrem passagens para os reinos sombrios, convocando seres diabólicos até a superfície de Ethrü.

Personalidade

Fúrias são bastante temperamentais, fazendo uso do terror e manipulando os desejos dos mortais para conquistar sua devoção e deferência. Consideram-se encarnações das Três Irmãs, herdando uma diversidade de aspectos deturpados de suas personalidade, tais quais arrogância e vaidade (Ethrü), malícia e inconstância (Sirpale), mistério e inveja (Lilið). Estas características podem coexistir mutuamente, e também variarem de acordo com o ciclo das estações ou aparente idade da criatura.

Reclusas em seus lares, elas executam rituais de conjuração e adivinhação, compartilhando seu conhecimento dentre o coven ou entre fúrias e seres mais poderosos em troca de poder. Embora não são essencialmente malignas, muitas fúrias tendem a associar-se com espíritos diabólicos para seus fins. Seu humor mutável faz com que muitas vezes as próprias fúrias tenham desavenças entre si. Mas são sobretudo carentes de interações sociais, e enlouquecem quando privadas de uma relação complexa de elogios e críticas.

Elas canalizam essa raiva aos mortais, punindo-os por sua negligência ás deusas. As punições costumam envolver tentações de poder ou barganhas em troca de uma demonstração extrema de adoração, como um sacrifício; ou ainda o sequestro de infantes, seja para devorarem ou criarem como seus próprios filhos. A ruína dos mortais e sua completa entrega aos caprichos são os principais anseios das fúrias. Elas sentem prazer especial em atormentar os devotos de Uno, considerados hereges por elas.

História e Cultura

As fúrias admitem que surgiram de um primeiro reino, um lugar escuro no seio de Ethrü, de Sirpale ou Lilið, ou talvez de todas elas. Inicialmente eram manifestações dos instintos e desejos mais profundos das três irmãs. Elas abandonaram a escuridão seguindo lentamente o caminho para a superfície quando sentiram a presença das primeiras crias da mãe. Seu cheiro e o som de seu pulsar despertou o apetite das primeiras fúrias.

Elas reconhecem Ethrü como progenitora das criaturas da superfície, mas desprezam o papel de Uno nesta criação. Como encarnações das deusas, elas são motivadas por um desejo de provocar adoração e temor, e em semelhança se reúnem em pactos (ou covens) de três fúrias. Um coven mais antigo pode se desfazer com a morte ou o adoecimento de uma fúria. Em alguns casos, as restantes escolhem uma mulher mortal para ocupar seu lugar, ensinando sua própria feitiçaria e compartilhando de seus poderes. Em outras situações, separam-se e fundam pequenos sectos de escravos fiéis, geralmente monstruosos.

A corte Unseelie foi fundada pela fúria Medb, que compartilhava do ódio dos revoltosos sidhe pelos humanos. Desde a fundação da corte, diversos covens têm se aliado a ela, muitas vezes em temor ao seu vasto poder, ou dos favores a ela devidos. Seus métodos e desejos moldaram a corte, dando-lhe o aspecto recluso e amedrontador.

Linhagens ou Subespécies

As bruxas e fúrias vêm de diferentes linhagens, cada uma das quais representando um aspecto mais forte das deusas. Os coven podem formado por fúrias de diferentes linhagens, cada qual representando um papel.

Cailleachen Bhéara

Também conhecidas como Fúrias do Inverno, as Cailleachan habitam principalmente as Montanhas Celestes e o norte das Midlands, preferindo as regiões glaciais ou montanhosas. Sua influência molda o ambiente, provocando tempestades que tornam a região ainda mais gélida e transformando florestas em tundras. Assemelham-se a elfas sidhe, muitas vezes em idade madura, e possuem um olhar gélido penetrante. São mais exclusivistas que outras fúrias, preferindo aliar-se àquelas da mesma linhagem, ou quando sozinhas lideram sectos de lobos ou cervos invernais. São mais fielmente ligadas a Ethrü, demonstrando um aspecto dominador e vingativo do inverno, mas seu apreço por Sirpale muitas vezes as associa como as responsáveis pela maldição da licantropia. Sua rainha Beira é reconhecida por reger o mês de Enwigh, manifestando seu poder no solstício de inverno.

Erínias

As Fúrias da Vingança estão mais próximas de Lilið, carregando seu ódio ardente contra os filhos de Uno. Elas costumam habitar regiões subterrâneas e diversos cultos a elas se desenvolveram entre o povo arcaico de Andros. Estes cultos levaram a queda de diversas de suas civilizações no fim da Era do Alvorecer, mas a influência das Erínias perpetuou, gerando discórdia nas cidades erguidas sobre seus refúgios. Apresentam-se como velhas senhoras ou mulheres maduras, tendo escamas negras por cabelo, olhos injetados de sangue e grandes asas de couro. O coven das Eumênides é o mais conhecido, tendo algumas peças dramáticas representando seus atos cruéis; no entanto, não há confirmação que estas sejam mais que ficção.

Harpias

As Fúrias Aladas deixaram o reino inferior com o desejo de alçar os céus, assumindo a forma de Harpias, combinando característiscas aviárias, especialmente as pernas e mãos em forma de garras, a pele pálida, nariz adunco e os olhos negros sólidos. Quando se vestem, elas preferem farrapos negros e jóias saqueadas de suas vítimas. Têm um prazer doentio por caçar crianças e pequenos animais, e assim como as Fúrias da Tempestade, atraem vítimas através de música até os recantos mais afastados, fazendo com que saltem para a morte. Costumam habitar as faces rochosas de montanhas e outras regiões inóspitas. Possuem uma capacidade intelectual inferior as outras fúrias, se associando somente a outras de sua própria linhagem ou a uma Erínia mais velha e sábia.

Fúrias do Mar e da Tempestade

Afiliadas de Sirpale e Ethrü, estas fúrias são geralmente encontradas nas regiões costeiras ou próximas aos leitos de grandes rios, habitando rochedos solitários ou refúgios próximos ou sob as ondas. São reconhecidas por seus poderes sobre o clima, provocando tempestades e ressacas marinhas; além de encantar os marinheiros e conduzir suas embarcações para colisões com as rochas. Quando o refúgio de uma Fúria do Mar ou de um coven destas é conhecido, os marinheiros que por ali passam costumam deixar prendas e oferecer agrados como forma de aplacar seu temperamento. Podem associar-se a outras criaturas marinhas, assim como gigantes da tempestade, ou formar covens com as Fúrias Invernais. Imitar a aparência de seus aliados mais comuns, porém com a pele escamosa e os cabelos sedosos ou cobertos de algas.

Venha para a água, meu cheiro,
Dançar sob as ondas do mar,
Lá onde os ossos do marinheiro
Apodrecem no meu lar

- Canção da Fúria do Mar

Nocnitsas ou Mæran

As Fúrias Noturnas habitam principalmente as florestas sombrias em ambas as faces das Midlands e as Vastidões do Oriente. Se mostram como velhas senhoras monstruosas, parecidas com orcs, goblins ou trolls. Quando desassociada de um coven, a Nocnitsa conjura um serviçal demoníaco para a acompanhar, geralmente um pesadelo ou um mastim infernal. Afiliadas a Lilið, elas têm um prazer particular em torturar e corromper os infantes, assombrando os sonhos e drenando sua força vital. Para proteger os recém nascidos, as mãe os repousam no centro de um buraco escavado na pedra, ou depositam uma adaga nua sob o leito. Possuem uma forma sombria que usam para seus propósitos malignos, e podem ser derrotadas somente se o seu coração de pedra - uma gema negra do tamanho de um punho - for furtada, impedindo-a de assumir sua forma incorpórea. A Velha Iaga, ou simplesmente A Velha é uma figura comum nas histórias noturnas em Großengrad e nos reinos próximos, frequentemente citada por ter pernas semelhantes a de um pássaro.

Nornas

Sempre se apresentando como um coven, as Fúrias do Destino são mais ponderadas embora associadas a Sirpale. Se apresentam como três elfas ou gigantes, em idades distintas: uma jovem, uma matrona e uma idosa. Seus dons incluem diversas capacidades de previsão, e um habilidade manual para tecelagem e confecção de artefatos arcanos. Geralmente são consultadas pelos elfos das florestas, embora suas barganhas resultem no destino do consultante sendo manipulado sob seus caprichos. Muitas vezes aceitam meninas aprendizes, posteriormente chamadas de völvas ou seiðr. Habitam bosques e arvoredos - ou mais raramente pântanos - no interior de Ælfheim e das Midlands.