Cavaleiro é o termo utilizado para designar uma posição social, um título honorífico geralmente não hereditário. O principal dever de um cavaleiro é lutar por e liderar as forças militares de seu senhor, ou instituição a qual prestou um juramento. O membro de uma ordem de cavalaria é geralmente reconhecido pelo título Sir, embora os títulos “Cavaleiro” ou “Ritter” sejam utilizados a oeste e a leste das Midlands, respectivamente.
A idéia de cavaleiro em armadura brilhante defendendo os fracos e travando valentemente combates e desafios épicos não é uma inteira verdade. Porém existem diversas ordens de cavalaria fundamentadas em preceitos divinos que almejam estas atitudes virtuosas. No aspecto militar a cavalaria compõe a elite das forças montadas e de infantaria de um reino, representando os seus soldados de carreira.
No início da instituição do termo, durante a Era das Trevas, o cavaleiro era um soldado profissional num sistema feudal ainda emergente, e muitos deles eram pobres como qualquer camponês. Com o passar do tempo a classe de combatentes tornou-se mais proeminente e necessária, tornando-os possuidores de riquezas e proprietários de terras.
A partir da Era da Razão, o conceito de cavalaria estava mais ligado aos soldados montados e encouraçados. Por causa do custo em armar-se cavaleiro, estava associado também a riqueza e status social, e muitas vezes a cavalaria tornava-se um título nobre formal.
A carreira da cavalaria tornou-se dispendiosa, requerendo recursos pessoais para custear seus próprios gastos em épocas em que seu soberano não tinha tesouraria ou orçamentos de guerra à sua disposição. Estes custos estão relacionados às características que distinguem a cavalaria da milícia: (i) seu arsenal; (ii) sua montaria; (iii) seus serviçais; e (iv) seu brasão de armas.
Os cavaleiros normalmente são pouco equipados para combates a longa distância. Embora arcos e bestas sejam empregados em batalhas, são taxados pelos cavaleiros como artifícios desonrados. Seu arsenal costumava restringir-se à lança (para o choque entre armas) e a espada (para as escaramuças), além de uma malha ou armadura e um escudo para suportar os golpes adversários.
As características que distinguem a cavalaria dos regimentos montados reside especialmente no seu arsenal defensivo mais eficiente, que varia de acordo com os diferentes períodos históricos. As armaduras dos cavaleiros são geralmente difíceis de obter e de usar, tais quais a cota de malha, que prevaleceu durante as Cruzadas no final da Era das Trevas; e a armadura de placas introduzida na Era da Razão.
Num período em que o metal era escasso, as malhas eram caras, exigindo muito tempo e recurso para fabricá-las, além de serem pesadas quando usadas sobre todo o corpo. Ainda assim tornaram-se as mais populares e efetivas proteções utilizadas até a Era da Razão. Posteriormente, a armadura do cavaleiro é composta por placas de metal sobrepostas a uma malha ou anexadas a esta.
Além da cota de malha e da armadura, o cavaleiro medieval usa para sua defesa, o escudo. Ele é preso ao braço esquerdo através de correias ou braçadeiras, visando proteger o peito do cavaleiro. Aí eram normalmente dirigidos os golpes de lança e espada. São comumente fabricados a partir de pranchas de madeira coberta por couro, muitas vezes eram reforçados por uma peça metálica central que também servia de adorno.
O principal equipamento ofensivo utilizado pelo cavaleiro ao longo da Idade Média era composto pela maça, a lança, a lança de justa, acha d'armas ou machado, e obviamente a espada. O uso da maça e da lança popularizou-se entre os cavaleiros durante a Era das Trevas, em que eram mais facilmente produzidas. A lança de justa (hastae, lancae ou framae) tornou-se a arma característica do cavaleiro. Já a escuris (acha d'armas) foi utilizada pelos cavaleiros anões durante muito tempo, e tão breve quanto possível, propagada entre os cavaleiros humanos.
Embora os elfos e anões possuíssem o segredo para fabricá-la, a espada só tornou a aparecer entre os cavaleiros ao início da Era da Razão. Isto porque se tornou possível fabricar artefatos inteiros de metal, e o cavaleiro se tornou um título associado a poder e riqueza. A espada do cavaleiro medieval mede cerca de 0,75 a um metro de comprimento e cerca de 5 a 7 centímetros de largura, pesando até 2 quilos.
O uso das espadas de duas mãos e as espadas de mão e meia (ou bastardas) tornou-se comum somente com o aparecimento das armaduras de placas. Cita-se ainda o advento da misericórdia, uma adaga de lâmina curta e delgada, permitindo introduzí-la entre as fendas da armadura. Uma prova da estima que o cavaleiro medieval tinha pela sua espada, sua arma mais pessoal, o qual carregava sempre consigo, é o fato de que muitas vezes o cavaleiro desse um nome próprio a sua arma.
Nenhum cavaleiro montado estava adequadamente equipado para a batalha sem possuir ao menos três montarias: o cavalo de batalha, ou dexterarius, que era conduzido pela mão e usado somente nos embates; um segundo cavalo, palafrei ou corcel, para a estrada; e um cavalo (ou outra besta) de carga para a bagagem.
O cavaleiro montado não é superior à infantaria ou os arqueiros como se imagina, visto que a manobra de investida é projetada especialmente contra a infantaria. Embora seja um fator decisivo em batalha (assim como pode muitas vezes resultar em um desastre); a principal manobra do cavaleiro montado raramente é suficientemente forte para romper uma parede de escudos.
Os cavaleiros combatem montados como forma de se destacarem da infantari, embora um grande número de batalhas foram vencidas com a ajuda de cavaleiros andantes. É importante ressaltar que mesmo os cavaleiros andantes precisavam deslocar-se para as guerras e torneios e era comum possuírem um ou dois cavalos para as necessidades acima citadas.
O cavaleiro requeria vários serviçais: um para conduzir os cavalos; outro para carregar as armas mais pesadas, particularmente o escudo, o qual denominou-o escudeiro (scutarius); ainda outro para auxiliar seu mestre a montar seu cavalo de batalha ou levantá-lo se caísse; e um quarto para guardar os prisioneiros, os quais seria exigido um resgate (ransom). Caso fossem capturados, outros cavaleiros (e também religiosos) poderiam ser libertados mediante resgate. Por não serem efetivamente valiosos, os soldados de infantaria, mercenários contratados, camponeses e todos os outros combatentes eram assassinados.
Estes serviçais raramente pertenciam a nobreza, a não ser que fossem pajens armados (ou valetes), que também podem compor a escolta de um cavaleiro. Os escudeiros passaram a ser também armados e montados e, adquirindo experiência e glórias em combate, eram finalmente sagrados cavaleiros.
As insígnias são outra marca distinta da cavalaria. Comumente os estandartes são anexados a lança. Há uma uma distinção clara entre o estandarte (estreito e triangular ou forcada na extremidade) utilizada por um cavaleiro como insígnia pessoal; e a bandeira, (retangular), usada como insígnia para um batalhão e reservada a um comandante de um regimento de pelo menos dez cavaleiros. Cada estandarte ou bandeira é adornado com o brasão de seu proprietário para distinguí-lo no campo de batalha. Estes brasões se tornaram então hereditários e são estudados pela ciência heráldica.
A cavalaria tornou-se símbolo de uma série de virtudes, mas é por suas armas, pela armadura brilhante e colorido dos brasões que tornou-se reconhecida. Sustentar todo este aparato de guerra não é uma tarefa simples, e o cavaleiro deve também ser um exímio combatente para tornar-se bem-sucedido em carreira. Isto exige dos cavaleiros além da perícia com as armas, um cárater justo e honrado que os tornem homens de confiança de seus senhores. Manter o status e adquirido é uma tarefa dura e um desafio constante, exigindo do cavaleiro aperfeiçoamento constante.